Registro de salários, horas e gorjetas sem sistema
Com 1 a 5 funcionários e nenhum software, dá para registrar salário, vale, horas e gorjeta em papel ou planilha. Veja o que anotar e o que fica com o contador.
São três pessoas. Uma registrada, uma que ajuda aos sábados e uma que trabalha por comissão. Você paga uma parte por Pix, uma parte com o dinheiro da gaveta, adianta R$ 200 no meio do mês para quem pede e divide a gorjeta na sexta. No fim do mês, se alguém perguntar quanto a equipe custou, você não sabe responder sem parar tudo e reconstruir de memória. O problema não é o valor pago. É que ele sai por quatro caminhos diferentes e só um deles deixa rastro.
Aqui a conversa é sobre registro de caixa: saber quanto saiu, para quem, quando e a que se refere. Isso é seu, é do dia a dia e ninguém vai fazer por você. Contrato de trabalho, encargos, férias, décimo terceiro, recolhimentos e o que pode ou não ser pago de determinado jeito são outro assunto, com regras próprias que mudam conforme o porte e o tipo de contratação. Essa parte é do contador, e um registro bem feito é justamente o que faz essa conversa com ele durar dez minutos em vez de uma tarde inteira.
O que registrar em cada pagamento a quem trabalha com você
- A data em que o dinheiro efetivamente saiu.
- O nome de quem recebeu, sempre o mesmo nome e escrito do mesmo jeito.
- O valor, mesmo quando é um pagamento pequeno e informal.
- O tipo: salário, vale ou adiantamento, comissão, hora extra, gorjeta repassada, ajuda de custo.
- A forma: Pix, dinheiro da gaveta, transferência ou depósito.
- O período a que se refere, porque o mesmo mês costuma ter mais de um pagamento para a mesma pessoa.
O vale sai no dia 15, o pagamento sai no dia 30, e na hora de somar o mês aparece uma de duas versões erradas: ou os dois viram salário e o custo da equipe fica inflado, ou o vale desaparece e você acha que pagou menos do que pagou. A regra que resolve é chata e simples: todo pagamento vira uma linha, com o tipo escrito por extenso. Nada de "acerto", "resto" ou "diferença" como descrição, porque daqui a três meses ninguém lembra do que era.
Com uma equipe pequena, todo mundo confia em todo mundo, e é justamente aí que a memória de cada lado conta uma história diferente. Anotar hora não é desconfiança: é evitar a conversa de fim de mês em que um lembra de três sábados e o outro lembra de dois. Não precisa de relógio de ponto nem de aplicativo. Precisa de papel, caneta e a disciplina de anotar no momento, não no domingo à noite.
Um controle de horas que funciona no papel
- Uma folha por pessoa por semana, com uma linha para cada dia.
- Colunas simples: entrada, saída para o almoço, retorno e saída do dia.
- Falta, atraso e hora extra anotados no dia em que acontecem, nunca de memória.
- A soma das horas feita na sexta, com quem trabalhou conferindo e assinando ao lado.
- Uma foto da folha guardada no celular no fim da semana, porque papel some.
- As folhas antigas guardadas juntas, em ordem de data, num envelope só.
Existem três caminhos comuns. A gorjeta em dinheiro que o cliente entrega na mão e vai direto para quem atendeu. A gorjeta que vem junto do pagamento no cartão ou no Pix e passa pelo seu caixa antes de chegar na pessoa. E a taxa de serviço cobrada na conta, que é dinheiro entrando na casa e depois saindo. A regra prática é: se o dinheiro passou pela sua mão ou pela sua conta, ele precisa aparecer duas vezes, uma como entrada e outra como saída, no mesmo dia. Se nunca passou por você, ele não é seu e não deve inflar o seu faturamento.
Como registrar gorjeta sem complicar
- Gorjeta em dinheiro que vai direto para a pessoa não entra como venda; anote em uma lista à parte só se quiser acompanhar.
- Gorjeta que entra junto do cartão ou do Pix vira entrada pelo valor cheio e depois uma saída de repasse, com o nome de quem recebeu.
- Combine a regra de divisão por escrito antes, nem que seja uma mensagem no grupo, e mantenha a mesma regra.
- Pague o repasse sempre no mesmo dia da semana, para não virar assunto toda sexta-feira.
- Guarde o total de gorjeta repassada por mês, porque o tratamento dela varia e o seu contador pode precisar desse número.
Gorjeta, hora extra, ponto e recolhimentos têm regras próprias e não são iguais para todo mundo: mudam conforme o porte, o enquadramento e o tipo de contratação. O que está aqui é controle de caixa, não folha de pagamento, e não serve como orientação trabalhista. Antes de definir como pagar, o que descontar e como registrar formalmente, fale com o seu contador.
Uma vez por mês, some tudo o que saiu para pessoas: salários, vales, comissões, horas extras, repasses de gorjeta que passaram pelo caixa e os encargos que o seu contador informar. Esse total é o custo da equipe, e é ele que deve ser comparado com o faturamento, não o salário combinado. Divida por quatro e você tem o custo de pessoal por semana, que é o número útil para a previsão de caixa. Muita gente descobre nessa hora que o dia fraco da semana não paga nem a própria equipe.
Pagar com o dinheiro da gaveta é rápido e é o hábito que mais estraga o controle de negócio pequeno. Some do caixa, some do registro, e no fim do mês a diferença aparece como quebra sem explicação. Se você vai pagar em dinheiro, mantenha uma regra única: nenhuma nota sai da gaveta sem uma linha escrita antes. Escrever leva menos tempo do que a conversa que você vai ter com você mesmo no fechamento.
Testar
Um caderno bem mantido dá conta disso tudo, e planilha também. O ZapLedger é para quem prefere não ter mais um lugar para lembrar: você escreve "vale joao 200 dinheiro" no grupo do WhatsApp e a saída entra na planilha junto com o resto do movimento do dia, com data e categoria.
Experimente grátisEquipe pequena não precisa de sistema de folha. Precisa de nomes escritos sempre do mesmo jeito, de tipos de pagamento separados e de horas anotadas no dia em que aconteceram. Com isso pronto, você sabe quanto custa cada semana, o seu contador trabalha com o que existe de verdade e a conversa sobre dinheiro deixa de depender do que cada um lembra.